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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Creme dos sonhos


Confectioner’s Custard. Crema Pasticcera. Crème Patissière. Creme de Confeiteiro. O creme base – com ovos, leite, açúcar e amido ou farinha – usado em recheios de muitas receitas, como – ahhh... – o sonho de padaria ou aquela tortinha de morango incrível e maravilhosa.
Na Idade Média, os europeus e os asiáticos já cozinhavam um creme bem próximo do que conhecemos atualmente. Os primeiros, comiam como recheio tortas e outros docinhos. Hoje, é um dos cremes mais usados na confeitaria tradicional francesa, encontrado em éclairs, chou à la crème, mille-feuilles ou napolèons.
Por ser um creme básico podemos usar a criatividade e fazer combinações. Segue algumas bem famosas:
- Creme de confeiteiro + merengue italiano = creme Chiboust
- Creme de confeiteiro + chantili sem açúcar = creme Diplomata
- Creme de confeiteiro + creme de amêndoas = creme Frangipane
- Creme de confeiteiro + manteiga = creme Mousseline
Algumas dicas para ter um resultado final delicioso:
1.     peneirar as gemas: não passe a colher pois, você não quer que a película que a envolve passe pela peneira. É um passo super importante para reduzir o aroma do ovo no creme pronto; 
2.     bater bem a mistura das gemas com o açúcar, isso faz com que o creme fique bem clarinho e, novamente, reduz o cheiro de ovo no final;
3.     o leite com o açúcar fervidos tem de ser despejados em fio, assim você faz a temperagem do creme, sem cozinhar as gemas (se não, empelota – not cool);
4.     colocar a essência só no final. Quando cozinha, todo o aroma se perde com o calor.
Agora, a receita:

Ingredientes: 4 gemas em temperatura ambiente | 350 ml de leite | 80g ou ½ xícara de chá de açúcar (dividido em 2 partes) | 30g  ou 3 colheres de sopa de amido de milho

domingo, 25 de agosto de 2013

De pão em pão, a Catarina

A cidade de São Paulo tem cerca de 3,2 mil padarias, com pães e doces deliciosos! Isso quer dizer (estatisticamente) que existe 1 padaria para cada 3,5 mil pessoas na cidade ou 2 padarias a cada km2 . É muito amor de pão :)
E no meio dessas delícias, tenho certeza que você já viu a Catarina. Doces ou salgadas, são aqueles pães recheados e trançados, lindos de se ver e ainda mais lindos quando você pode comê-los!
Mas já se perguntou como é feita?
É a hora da receita:
Ingredientes: 250g de farinha de trigo especial | 140 a 150ml de água – temperatura ambiente ou morna | 5g de sal | 1 pitada de açúcar | 15g de fermento biológico fresco (você encontra nos supermercados pacotes com 4 tabletes de 15g cada) | 5g de manteiga

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

City bites: Shortcake Morango

Tecnicamente, o shortcake original é feito com camadas de biscoitos “gordos”. O nome deriva do uso de uma quantidade generosa de gordura (shortening) na receita, o que impede a formação de cadeias de glúten longas, tornando o quebradiço e mais “derretível” na boca. Hummmm :9 Com o tempo, o uso de pão de ló também se torna bastante comum. Os outros ingredientes são: creme e morangos. Então, como não ser perfeito?
É um dos mais consumidos no Japão, principalmente em datas festivas como aniversários e Natal. Detalhe: lá do outro lado do mundo, os confeiteiros são fanáticos pela perfeição na decoração do bolo, são sempre impecáveis e você já começa comendo com os olhos.
(não lembro exatamente qual o nome do café em que tirei esta foto, só sei que foi próximo à estação da JR – Kinsicho em Tóquio)
E aqui em São Paulo? Umas das doçarias mais tradicionais do Campo Belo, de origem austro-húngara, a Confeitaria Cristina, tem um shortcake bem equilibrado no açúcar e com massa bem leve, morangos fresquinhos e creme incrível. Além dele, outros tantos doces deliciosos que só visitando! 
Confeitaria Cristina - Rua Vieira de Morais, 837 - Campo Belo 
segunda a sexta: 8h às 20h.
sábado: 8h às 19h.
domingo e feriados: 10h às 19h.
Boas mordidas! ;)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O Véu... da noiva?

Quase isso...! A massa de pão tem ser tratada com o maior carinho e amor ❤. E tudo que você espera é chegar nesse ponto: o véu de glúten. É um dos pontos principais da panificação. 

Depois de sovar, amassar, trabalhar bem a massa de pão (isso pode levar um bom tempo.. pelo menos não precisa ir à academia nesse dia), o glúten da farinha de trigo se desenvolve e confere elasticidade. Quando você estica um pedacinho, ela vai abrindo, abrindo, abrindo... até formar essa película quase transparente. :) Continue com sua receita de pão, provavelmente ela ficará descansando por algumas horas.
É importante chegar neste ponto para um pão macio e fofo. Uma dica de ouro é procurar por farinhas que contenham mais glúten em sua formulação, geralmente, as especiais. Algumas marcas mais comuns de supermercado são a Renata, Anaconda ou a Rosa Branca.
Boa academia.. opa.. “sovação”.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

City Bites: Cheesecake

O primeiro pode ter sido feito pelos gregos, antes da conquista romana, na Antiguidade. Nessa época, o que mais se parecia com o atual era chamado de placenta e possuía uma crosta assada separadamente. A consistência e o sabor devem ter sido bem diferentes... No final do séc. XIX, nasce o american cheesecake dos dias de hoje, graças ao acaso na tentativa de reproduzir o queijo francês, Neufchâtel.
Há uma variação de queijos usados nesta sobremesa: nos EUA e Canadá o mais comum é o cream cheese; na Itália, a ricota ou o mascarpone; na Alemanha, Polônia e Holanda, o quark (coalhada). Os estilos também variam de região a região, podem ser assados ou não, com gelatina, sorvete, frutas e geleias ou ingredientes diferentes como mattcha (chá verde em pó).

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tratamento a pão de ló

O pão de ló é um bolo superfofo, à base de ovos, farinha de trigo, açúcar e essências ou extratos (isso mesmo, não vai fermento químico). É tradicionalíssimo em Portugal, mas acredita-se que sua origem seja espanhola, derivado de biscoitos produzidos em mosteiros e conventos de Castela.
Há variações em todo o mundo, como o Castella (Japão), Sponge Cake (EUA e Reino Unido), Pan di Spagna (Itália), Genoise (França) e Plava (Comunidade Anglo-Judáica).
O grande segredo da preparação está no quanto você bate os ovos, lembrando que devem estar em temperatura ambiente. Batidos com o açúcar, incorporam ar e podem quadruplicar de volume; este processo é chamado de fermentação física.
O segundo segredo é na hora de misturar a farinha de trigo, tem de ser de forma muito delicada e apenas o suficiente para tornar a massa homogênea.  Não queremos que o ar dos ovos batidos escape.
Então vamos à receita:
(Costumo fazer a proporção de 30g de açúcar e de farinha para cada ovo. Se sua forma for muito maior, é só manter a mesma proporção – você pode reduzir um pouco do açúcar)

Preaquecer o forno a 180ºC
Ingredientes: 4 ovos em temperatura ambiente | 120g ou ¾ de xícara de chá de açúcar | 120g ou 1+¼ de xícara de chá de farinha de trigo | quantidade necessária de essência ou extrato de baunilha | (Se quiser fazer a base de chocolate, substitua 20g ou 1 + ½ colher de sopa da farinha por 20g ou 2 + ½ colheres de sopa de chocolate em pó)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ahh.. o Primeiro post

Dizem que é especial, o início de tudo.
Este blog é uma escolha para mim, um recomeço. Em meio à devaneios sobre profissões, carreiras e a vida, preferi a confeitaria. Nasce de um sonho: a busca por uma vida mais doce, recheada de creme de confeiteiro, brigadeiro e confeitos. Um mundo de diversidade infinita, criativo e gostoso, em que posso ver pessoas mais felizes com o palato adoçado por inúmeros tipos de sobremesas, bolos, docinhos e afins.
A você, caro leitor, desejo a viagem mais açucarada. Que este blog te inspire a entrar na sua cozinha e fazer dela um refúgio a mais dos problemas e estresse do dia a dia. Que possamos sempre aprender novas técnicas, cultivar ideias e reinventar. 
 (E esta tortinha de morangos silvestres não dá água na boca? É uma das razões do porquê quero ser confeiteira. Quem puder visitar, a Patisserie Stohrer fica na 51 Rue Montorgueil - Paris)